quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Após alguns dias de reflexão..

Continuo a não perceber o que é que os nossos governantes percebem de economia... Juro que não entendo! Mais, pergunto-me se eles sabem o que é a economia paralela (porque ela existe e em grande escala no nosso país). E se a solução para quem quer viver  honestamente do seu trabalho não será pôr pés no caminho e procurar um país onde se valorizem os valores do trabalho e não as aparências? (sim, eu acho que o nosso estado quer sempre parecer rico, mas sem ter onde cair morto)

Tenho uma grande dificuldade em aceitar que nos obriguem a descontar cada vez mais segurança social, quando todos sabemos que o sistema tal como está terá um fim muito próximo, mais, não aceito que me ponham a pagar mais segurança social e quando o meu pai após trabalhar 42 anos, sim com 42 anos de descontos, pede o calculo da reforma lhe digam que lhe tiram quase 30% do valor a que teria direito, porque ainda só tem 58 anos... Tenho grande dificuldade em pagar mais impostos e quando preciso de uma consulta no SNS, pago mais, sou pior atendida e os profissionais são mais mal pagos (logo não têm motivação para trabalhar)... tenho dificuldade em pensar que quando tiver filhos, e forem para a escola os metam em turmas de 30 alunos, porque quem esteve em turmas de 20 alunos já era complicado acompanhar, quanto mais com 30...

Não sei se concordam, mas sinto este país a afundar lentamente... Sei perfeitamente que estávamos a viver para além das nossas possibilidades, mas não é deixando as famílias sem "a tanga" que este país melhora, não pode ser esse o caminho. Afinal há pelo menos 10 anos "o país está de tanga", sim lembro-me de ir para a escola, talvez no secundário e ouvir o nosso primeiro ministro da altura dizer isso... E agora pergunto-me: será que nesse momento não deveriam ter sido tomadas medidas concretas, deixarmos os paninhos quentes de lado e meter mãos ao obra? Ou era mesmo necessário deixarmos toda a gente se sentir no paraíso para agora lhe puxarmos os tapetes e deixarmos que todos caiam no chão com um grande estrondo e com consequências desastrosas...

Este é o sinal do meu descontentamento, de quem vê empresas em grandes dificuldades, e que vê uns quantos "Chico-espertos" a deixarem de pagar as suas dividas com a desculpa da crise, mas depois têm uma grande vida, sim uma bela vida! E com isto sinto-me revoltada, com um país onde a classe politica e governante só reflecte alguns dos nossos cidadãos, porque eu acredito que a maioria seja séria e queira sobretudo um país e um futuro melhor, sem tretas e sem enganos!

5 comentários:

Fashionista disse...

eh eh garanto que não percebem nada de economia e não vejo medidas sérias para sair da crise, apenas se preocupam em aumentar a receita!

lena disse...

Olá Filipa.
Também ando triste com tudo o que se está a passar. Nunca pensei e ir embora do meu pais porque ja tive essa experiência em criança. Vivi alguns anos em Paris e sempre quis voltar. Mas agora que vejo as hipóteses de arranjar emprego muito escassas. Mesmo tentando abrir a minha própria actividade os impostos são tantos que fico na duvida se vale ou não a pena tentar. Penso que alguma coisa terá de ser feita, por isso vamos ver o que isto vai dar para tomar algumas decisões.
Beijinhos grandes

Lily disse...

Concordo plenamente. Trabalhamos para pagar impostos. Não me importaria de os pagar se o país realmente melhorasse com isso. Mas não melhora. E a solução é sempre a mesma: aumentar os impostos.

Ema disse...

Olá Filipa

Entendo-te perfeitamente, assim como entendo a indignação da maioria dos Portugueses. Ser economista neste cenário é complicado acredita, porque percebo que há medidas que tem de ser tomadas... embora as considere injustas há muito que via que inevitavelmente teríamos que chegar a este ponto. Lamento que não haja uma maior incidência nas grandes empresas, nas ppp e nas fundações. Os grandes lobis instalados continuam intocáveis e quem trabalha vai ficando cada vez mais pobre.

Beijinhos

Joana disse...

Nem digas nada Filipa. Mal voltámos de Espanha ficámos logo a saber de tudo (lá não havia net e havia muito pouca rede) e eu e o P. voltámos quase imediatamente a pensar em emigrar. Acho que o futuro dos jovens vai mesmo ter de passar por aí, porque isto está mesmo mau :(